quinta-feira, 18 de julho de 2019

POÇÃO DE PEDRAS: EU VI...



 Vi minha cidade que só tinha ruas de pedras ser asfaltada. Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi minha cidade que só se comunicava por cartas ou pelas cabines da extinta TELMA, possuir internet de fibra óptica. Mas não vi a politicagem acabar.


 Vi minha cidade, que tinha como meio de entretimento uma TV na praça, ter uma antena por assinatura em cada telhado. Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi lavradores e vaqueiros que usavam animais de carga para seus afazeres, trocarem os burros por motos. Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi a população que puxava água na cacimba, trocar o balde pela galão de 20 litros de água mineral. Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi os caminhões que escoavam a produção de arroz se extinguindo e as usinas fechando, enquanto as prateleiras dos supermercados se enchem do arroz empacotado. Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi a Tavares, a Maranhão e a Perpétuo Socorro serem substituídas pelas Vans Mas não vi a politicagem acabar.

 Vi o Hotel da Lelé ser substituído pela pousada Portilho, vi o pão massa grossa ser chamado de pão francês, a panelada no mercado ser substituída pelo self-service, a cédula pelo voto eletrônico, o dinheiro pelo cartão de crédito, vi o “pau na máfia” trocado pelo “blog das lobas”. Mas não vi a politicagem acabar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário