domingo, 7 de julho de 2019

DIA DE COMÍCIO EM POÇÃO DE PEDRAS E ESPERANTINÓPOLIS...



 Acorda-se as 6:00 da manhã com uma alvorada de foguetes avisando que o grande dia chegou. Se você é aliado, acorda animado, se é contra, acorda revoltado.


 Nessa hora, o boi já morreu e o magarefe separou a picanha e o filé pro candidato, enquanto as costelas e o chambaril são usados para o preparo do cozidão por uma dezena de mulheres que esperam uma multidão de pessoas empoeiradas que descem do pau-de-arara vindos da zona rural.

 O clima na cidade muda, parece feriado, usa-se uma roupa com as cores e com o número do candidato, como se disséssemos que somos propriedade privada de tal político.

 Motos sem descargas fazem um barulho ensurdecedor, um trio emprestado de um amigo deputado, com dezenas de adolescentes empunham suas bandeiras no sol escaldante, cavalos são selados e deixam seus rastros de excrementos pela cidade como em uma cavalgada. O grande dia chegou!.

 Postos de gasolina ficam lotados para abastecer as motos que irão participar do arrastão, 10 reais é o limite.

 Guardam-se algumas adesões que já estavam programadas à alguns dias, para a noite do comício, geram mais impacto, assim manda a velha cartilha dos marqueteiros.

 Os candidatos com semblantes cansados, visitam casa a casa na rua escolhida, com dinheiro trocado no bolso e com o assessor anotando num caderno as demandas que posteriormente vão ser rasgadas e esquecidas. 

Começa o arrastão: Aglomeram-se pessoas em lugares estratégicos para medir o tamanho ou contar quantos minutos durou, comparando com a do concorrente.

 “ Não deu ninguém” ou “ Só tinha gente de fora” são as frases mais usadas pelo adversário. “ Foi o maior da História” ou “ Deu a volta na cidade” são ditas por aliados.

 Chega a grande hora! Microfone em punho, um por um, denigrem o adversário. Projetos, propostas? Quem ali embaixo deslocou-se de suas casas para ouvir isso? O grande ápice, o momento de aplausos, a cereja do bolo vem quando o candidato avisa que vai exterminar o adversário que dias atrás, quase selaram um acordo em um dos restaurantes caros de São Luís. Foguetes, aplausos e todos os presentes lá em baixo, saem com a certeza que só deu aquela quantidade de pessoas porque ela se empenhou pessoalmente para tal feito e por isso irá cobrar a fatura mais tarde do candidato.

 Dormiremos o sono dos justos: desafio vencido. Amanhã voltaremos a estar sem água, sem merenda escolar de qualidade ou sem remédios na farmácia básica. Mas e daí ? O importante é que o arrastão do meu candidato deu 25 minutos e o seu, só 20.

 Xeque-mate.

Nenhum comentário:

Postar um comentário