sábado, 2 de fevereiro de 2019

Crônica: Jovens ostentação em Poção de Pedras

                        Kit Ostentação

 Tenho um carro 2015 e desde 2016 que muita gente me pergunta quando vou trocá-lo,
sempre respondo que não sei, ele funciona perfeitamente e a situação econômica atual do nosso País não me estimula a trocar nesse momento, percebo que isso incomoda os outros. Tenho o mesmo celular a mais de 3 anos, ele corresponde às minhas necessidades, sinto-me pressionado pelos outros a trocá-lo. Atualmente, carro do ano, roupa de marca e celular da moda chamam mais atenção do que: caráter, inteligência e Educação. Não é atoa que essa geração tem um carro, mas não sabem o limite da altura do seu som, tem roupa de marca, mas tratam mal o garçom, tem um celular da moda, mas escrevem errado ao digitar. O cérebro faz o seguinte raciocínio involuntário, funciona assim: você ver alguém num carrão e com roupas de marcas, em fração de milésimos de segundos o cérebro faz a ligação: só tem um carrão, quem tem dinheiro; pra ganhar dinheiro tem que ter sucesso profissional o que gera Felicidade, então ligando os pontos, pra ser Feliz tem que ter dinheiro pra comprar um carrão. Será verdade? O Kit Felicidade, inclui além de uma Hilux, um cordão e pulseiras de ouro, um IPhone e uma rapariga pra gastar o dinheiro que ele reclama quando a esposa pede. Vivemos em um mundo de aparências, aquela velha máxima de que valemos o que temos e não o que somos, tomou conta da imaginação dos mais jovens, infelizmente estamos vivendo uma geração consumista. De repente, o cidadão que não trabalha, ou tem um subemprego, começa a querer ostentar um padrão de vida que não condiz com sua realidade. Ao invés de olhares de desconfiança e reprovação, aparecem dezenas de “amigos” pra gastar o dinheiro que não se sabe onde ele arranjou. As namoradas não questionam de onde vem o dinheiro pras farras, paredões e uma vida desregrada. Se todo mundo acha normal e ninguém o questiona, se ao invés da aprovação das namoradas eles as perdessem, talvez as coisas fossem outras. Houve um tempo em que não se tinha vergonha de vender picolé, bolos ou verduras na feira, engraxar sapatos e lavar carros eram feitos por jovens trabalhadores e eles eram admirados por isso, o que consumiam e o que possuíam eram fruto de seu empenho, trabalho e dedicação. Infelizmente saímos da geração Coca-Cola para a geração Facebook: a vida baseada na ostentação. Isso acontece por vários motivos, mas os principais são motivados pela forma como as pessoas gostariam de serem vistas pelos outros. É o ter que molda o ser. Quem trabalha sabe a dificuldade de chegar o fim do mês e o seu salário já ter acabado bem antes do dia 10. Então pelo amor de Deus, alguém me responda como uma turma consegue beber de segunda a segunda e ostentar uma vida que não condiz com o seu padrão de vida? Quem souber ganha de presente um celular tijolinho com lanterna.

Créditos: Dr. Nelson Jonas

4 comentários:

Cláudio Rodrigues disse...

É, amigo, estamos no tempo em que grande parte dos adolescentes e jovens não anda de bicicleta porque sentem vergonha. Quase sempre vou à escola, a tarde, de bicicleta e não há um dia que não impliquem comigo.

Anônimo disse...

Tem um grupinho das lobas. Essa foi pra esses bestas

Anônimo disse...

Consegue ostentar da mesma forma que ele. O autor conseguiu colocar uma casa loteria.

Anônimo disse...

Conseguiu colocar uma lotérica trabalhando, e trabalhando muito. Exemplo de cidadão e pai de família.

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