sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

POÇÃO DE PEDRAS: TERRA DE ARTISTAS...

             COLUNA ZEZIN RUBRO-NEGRO

    E de repente os Super-Heróis se reúnem.

Batman diz que Gotham City é a melhor cidade do mundo, Superman discorda e diz que é Metrópolis, para o Flash é Central City, Homem-Aranha não sai de Nova York , Mulher-Maravilha não esquece a ilha de Themyscira, Aquaman tem saudades de Atlântida e o Pantera Negra é o rei de Wakanda. Eis que aparece uma Professora da Zona Rural de Poção de Pedras e diz que é muito fácil ser Super-herói, tendo Super velocidade, força e agilidades. Herói mesmo é uma Professora da zona rural de Poção, que tem que ter Super força pra atravessar as estradas no inverno, super velocidade para ter jornada dupla: dar aulas e fazer o almoço da família e ainda por cima não ser reconhecida como uma super-heroína. Professores são os verdadeiros Super-heróis. Minha cidade pode não ser tão grande quanto Gotham City ou conhecida como Metrópolis, mas qual Cidade amanhecia todos os dias com a “ Voz do irmão Abraão”?: A nossa rede social do passado. Tínhamos a “ Talvez“ e a “ Perpétuo Socorro“, nossos Bels, Paraibinhas e Kalitons de antigamente. A boate do Zé Flor era o point da cidade: nossos Nilsmar e Jeová. Quando queríamos lanchar, não tínhamos a Pizzaria do “ Aí mamãe”mas tínhamos o Kisuco com pão massa-fina do seu  Cabeça ou do seu Duda. Todos queriam assistir os filmes no cinema do Chico Pinto, nossa Netflix. Televisão era um recurso para poucos e tinha até um cargo na Prefeitura pra vigia da televisão que ficava na praça. Já ouviram falar das cabines da TELMA?, Eram nossos celulares. Semana Santa e da Pátria era uma Semana inteira sem aula. Farda escolar era calça de Tergal azul com camisa branca feita pelas costureiras da cidade, nossas Silvias e Célias do Passado. Tênis? Só se for K’chute ou K’bamba. O que dava “sustança” era a carne de jabá e o leite da COBAL. Time de futebol era o PAPI e o EQUITEC, precursores dos GRAXAS. Não tínhamos a piscina do Gessé, do João Carlos ou do Chiquinho mas tínhamos o açude do Janduí. Coca-cola era Baré. Whisky era cachaça da terra, tira gosto era tripa frita e sobremesa era rapadura, quebra-queixo vendido na bicicleta e alfinim da dona Marina.Jogo da Loteria? Falava com seu Jonas, que ele fazia em Pedreiras. Ninguém falava Inglês, mas todos sabiam da tabuada ou a palmatória cantava. Carnaval não tinha o Axé do Magno de Luxo ou Adrian Silva, mas tinham as marchinhas do Zé Antônio da Jaqueira na Quadra do Jardim. Não existia filtro solar e adoçante, remédio era: Sulfa, Sebazol, Contopila, Mastruz e capim santo. Diarréia era caganeira, Depressão era gente Amuada, Stress era Farnezin na cabeça, Criança Hiperativa era Atentada e alcoólatra era cachaceiro, dor de Barriga era:” Imbrui no estrombo” e mulher de resguardo passava um mês sem banhar comendo pirão de parida. Manga com leite, ovo com melancia à noite e tomar banho com febre era um veneno e ambulância era uma rede. Não existia o self-service da Branca ou da dona Francinete mas tinha a panelada da dona Rita no mercado. Dormíamos com as portas abertas, não tínhamos medo de ladrões, não sabíamos o que era isso, nossos medos eram outros: Capelobo, Caipora , Gabiru, Tota e Mija n’areia. O tempo traz muita coisa boa, arruma, ajusta, acerta as contas e vem impregnado de saudades – saudades do que se viveu, do que se fez, dos gostos, dos cheiros, das cores, de gente. Quantas pessoas fizeram parte da nossa jornada e vão embora, muitas vezes para nunca mais, e mesmo assim, tornam-se inesquecíveis? Professores, colegas de escola, de rua, familiares, vizinhos, enfim, sempre sorriremos ao nos lembrar de gente querida que passou por nós e deixou magia conosco. Sempre teremos de seguir faltando um pedaço, com lembranças apertadas de quem nos tocou fundo o coração . Na verdade, embora nós sempre achemos que o nosso ontem foi o melhor, que nossas lembranças são mais especiais, cada pessoa levará sempre consigo recordações mágicas, lembrando-se com saudade do que viveu, junto de pessoas que valeram a pena. Porque a gente guarda o que alimenta o coração. Porque a gente leva junto do peito quem compartilhou alegria conosco, mesmo que por pouco tempo. É assim, afinal, que a gente se recarrega diariamente e continua seguindo, em busca de ser feliz, na esperança de reviver tudo o que deixou o nosso caminho mais iluminado.

Créditos: Dr. Nelson Jonas

14 comentários:

Unknown disse...

👏👏👏👏👏👏

Anônimo disse...

Será se esse cara pode fazer a prova de redação do ENEM por mim ?

Anônimo disse...

Professor, fiquei fã do seu blog

Anônimo disse...

Relembrei meu passado, só falou verdades

Anônimo disse...

Estou aqui em São Paulo lendo esse texto e passou um Filme em minha cabeça.

Anônimo disse...

Chorei a ler esse texto e relembrar da minha infância nessa terra querida.

Cláudio Rodrigues disse...

Faltou só escrever aí que o vigia da televisão da praça era meu avô Zé Unias.

Kleber Cardoso disse...

Nelson tá se mostrando um ótimo cronista. Parabéns meu amigo.

Anônimo disse...

Minha infância se resumiu nesse texto, continue com o Blog Rogério, verdadeira aula de História de Poção de Pedras,

Anônimo disse...

Pra quem está longe como eu estou, ler esse texto é relembrar minha infância.

Unknown disse...

Parabéns professor. Chorei lendo essa crônica

Anônimo disse...

Já li, reli e compartilhei esse texto pra todas as pessoas da minha infância aí no Poção . Genial o texto

Anônimo disse...

Eu tomei muito Ksuco no seu cabeça. Kkkkk

Unknown disse...

Muito bom! Me senti contemplado em vários momentos nesse texto.

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