domingo, 27 de janeiro de 2019

Crônica: Envelhecer, não necessariamente significa amadurecer


O que incomoda ver em minha cidade é um personagem folclórico que se multiplica a cada dia e que tem como habitat natural,
as esquinas e calçadas dos comércios em pleno horário comercial: São os adolescentes de 30 anos, aqueles personagens que não trabalham, não estudam, mas não perdem uma festa, bebem todos os dias, sabem da vida de todo mundo e colocam a culpa de sua desocupação nos políticos, alguns são sustentados pelas esposas outros pelos pais, alguns são contratados pela Prefeitura e mesmo tendo como único trabalho, ir buscar seus proventos no final do mês, estão sempre achando que mereciam mais e que o próximo Prefeito irão valorizá-los como eles julgam merecer. Essas pessoas parecem sofrer da síndrome do Peter Pan, aquele personagem que insiste em não crescer mesmo ficando velho. É a geração NemNem. Nem trabalham, nem estudam e quando estudam formam a geração DesDes: Despreparados e Desocupados. Infelizmente envelhecer não necessariamente significa amadurecer. O tempo que os jovens de hoje perdem faltará no futuro. Mas se tem uma coisa que a vida adulta nos concede como um presente, nunca de mão beijada, é esse tal do amadurecimento. Um presente que ela nos dá todo santo dia. Quando nos desfazemos de vícios antigos, quando cortamos amizades abusivas, ao olharmos sempre em frente, quando aprendemos na marra a cuidar das nossas feridas sozinhos, quando decidimos não nos importar mais com besteiras e quando tentamos ser um pouco mais flexíveis com as artimanhas que surgem na estrada. Ao falar apenas o necessário e tentar escutar o que o nosso silêncio tem a nos dizer. Crescer é suportar a tempestade ansioso pela chegada do arco-íris. É entender qual o momento certo de bater em retirada. É saber que chorar não nos faz fracos, nos faz humanos. E também compreender que os erros não nasceram para serem repetidos, eles vieram ao mundo como uma oportunidade de nos mostrar que é possível fazer diferente. É ter a coragem de cortar o cordão umbilical e enfrentar o mundo lá fora que te acorda todos os dias sem o cheiro do café de mãe. É aprender tudo o que ela quis te ensinar e você estava ocupado demais pra prestar atenção. É muito mais que saber que roupa branca não se mistura com a colorida na hora de lavar ou que não tem truque que salve quando a gente queima o feijão. É chegar em casa e a louça da noite anterior ainda estar esperando. É saber que as coisas não se compram e nem se consertam sozinhas. Acontece que a vida não vem com cartilha, nem manual. Ou você cresce e amadurece, ou aprende com os tombos. Simples assim! Faça como as folhas que crescem na Primavera, amadurecem no Verão, caem no Outono e no Inverno ressurgem mais fortes. Faça o mesmo de sua vida: Cresça, amadureça, caia e levante-se fortalecido. Ou então, terão que pedir pros Comerciantes colocarem toldos, para continuarem em suas portas no Inverno, falando da vida alheia.


  • Créditos: Dr. Nelson Jonas 

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